Skit Van Darken: É difícil apresentar ideais à um público que só percebe rimas

Sinto-me na obrigação de expandir a cada letra a visão social dos que me circundam ou são circundados pelas minhas obras musicais. Entendo que ainda vivemos num espectro UNITA-MPLA, Governo-Oposição, etc… quando o desafio para o progresso social e económico vai muito além disso e abarca assuntos de pleno desconhecimento de muitos.

A arte sempre foi e é ferramenta de preferência dos humanos para tornar visível, audível e perceptível o estado de espírito do Indivíduo. E nenhuma forma de arte nunca foi bem sucedida se não reflecte o íntimo do Indivíduo. Indivíduo este que de acordo com vários contextos em que se insere apresenta características variáveis e singulares.

Do isolacionismo ao escapismo, o ser Humano exprime-se fundamentalmente de forma artística. Isso gera um novo esquema de comunicação carente de estudos de carácter antropológico. Sendo importante destacar em relevância a Etnomusicologia.

Em Angola o consumo da música não se desvincula dos mesmos parâmetros que em outras paragens do mundo, mas não denota sinergia interna individual devida as características sociais e culturais abnormais predominantes. A longa  guerra civil, precedida por um longo período complexo de esclavagismo e tráfico humano entram para os cálculos como variáveis numa equação que envolve inúmeros impulsos de expressão e obstruções objectivas (censura, corrupção material e consumismo, fenómeno capitalista ainda não muito bem assimilado e dominado).

Nos últimos anos tenho contribuído de forma intencional não-ortodoxa na educação sociopolítica e socioeconómica dos meus ouvintes trazendo à abordagem diversas correntes de pensamento que em condições regulares continuariam desconhecidas e consequentemente não analisadas por um grande público de forma quase simultânea. Estes ideais sociais, económicos e políticos, têm como objectivo último, ocasionar o questionamento e a pesquisa complementar subsequente.

Entender que uma garota vai vir em sua casa e que isto certamente resultará em um acto sexual ou de discussão é quase que evidente tal como constata-se na grande maior parte dos lançamentos recentes. Mas a compreensão dos pressupostos da existência de uma República, o posicionamento de um determinado Partido no espectro político bem como as correntes ideológicas que pautam seus dirigentes não é uma tarefa fácil e reserva-se à Pensadores. É entre estes que eu posiciono-me. A tentação de muitos buscarem o óbvio e o fantástico está na ordem do dia. Mas o meu compromisso é outro, é o de apresentar ideais à um público que só percebe rimas. É o de explicar libertarianismo, anarquismo e tantas outras alternativas de sociedade à um público que só percebe UNITA-MPLA, Governo-Oposição, Preto -Branco, África-Ocidente, Coca-Cola-Água. Não é uma missão fácil e meu êxito certamente não é suposto ser objectivamente musical.

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